Caranguejo saltador
Caçador, temor
Toda imprensa esta semana mirou suas câmeras e seus microfones para as comemorações de 20 anos da derrubada do muro de Berlin. Muro esse, símbolo da derrocada do socialismo e da possibilidade histórica que qualquer outro sistema político distinto do capitalismo vigorasse. Contextualizando um pouco os fatos, tomamos como exemplo o final da Segunda Guerra Mundial. Após o exercito vermelho ter (heroicamente) resistido à invasão alemã no front oriental, o sistema nazista definhou ocasionando assim o final do conflito. O que fazer então com a Alemanha, como organizá-la politicamente no pós guerra?
Seria cômico se não fosse preocupante. O mundo está em crise, seja ela econômica, de identidade ou social. Pois bem, falarei de uma preocupação minha para com o campo social. Com o crescimento surreal do sistema capitalista, o mundo entrou em colapso, a população só pensa em ganhar mais e mais, em se dá bem em cima dos outros, ganhar pra gastar, gastar pra ter estatus e ter estatus pra humilhar o economicamente inferior. Sendo assim, nos encontramos vivenciando uma época de turbulência no que diz respeito aos valores humanos, ou seja, dentro do contexto econômico ao qual a gente está inserido quanto mais passar o outro pra trás melhor.
Dos assuntos polêmicos que permeiam o mundo, o suicídio é um dos mais polêmicos possíveis. Hoje (principalmente sob os dogmas cristãos ocidentais) é tido como um mal e interpretado como covardia humana. Porém o mesmo em outros tempos e por outras sociedades não foi tratado de forma tão desprezível assim. A história nos mostra que o ato de tirar a própria vida, por diversas civilizações em diversos períodos foi um ato nobre e de coragem. Na Grécia e Roma antiga, só quem “podia” se matar eram os nobres e/ou políticos. Geralmente o suicídio era praticado através da perfuração, seja ela de faca ou espada. Porém, havia, entretanto, o suicídio por picada de animal peçonhento, a exemplo temos Cleópatra que se deixou ser picada por uma serpente. Além dessas duas formas, havia também a morte por envenenamento (essa ultima considerada menos nobre).
Há pouco me deparei com uma noticia tosca no fantástico, mas nem fiquei surpreso com a tal noticia, afinal, sempre me pergunto: o que falta inventarem agora? Ou onde o mundo vai parar? E também a noticia nem é tão nova assim, já que foi vinculada por toda imprensa nacional durante a semana. Enfim, a noticia é que a mulher com a bunda mais linda do mundo (sic) é Brasileira, isso mesmo, a nossa imprensa parece não ter coisa mais interessante pra passar na TV e coloca no ar essa reportagem como se fosse motivo de orgulho para os brasileiros. Ora, já estou cansado de ver o Brasil tachado pela própria imprensa brasileira de país calmo, acolhedor e simpático. Pois bem, se é pra generalizar assim, me respondam então onde fica a parte da violência sexual e/ou domestica, trabalho escravo, grupos de extermínio, menores abandonados, poluição dos rios, destruição das matas, trafico de animais, analfabetismo, mendigos nas ruas, violência e imprudência no transito, corrupção e tantos outros relatos que não vira noticia e quando são abordados não tem a mesma ênfase e notoriedade que tal noticia da miss bumbum. Sei que a televisão foi criada para entretenimento, mas também tem a função de informar, disso sabemos, porém quase nunca paramos pra pensar as “informações” que nos são passadas durante a programação daquele nosso programa favorito. São noticias como essas que nos fazem cada vez mais trocar os canais de cunho privado e detentores da maior parte do bolo chamado audiência por emissoras publicas que tem por obrigação nos tornar cidadão e cidadã de caráter pensante. O povo ta cansando desse sensacionalismo ridículo sobre noticias bisonhas como esta. Não faz mais sentido tais noticias bizarras na TV enquanto o mundo e o país vivem em constaste caos. A reportagem tem o titulo de “Brasileira ganha o premio miss bumbum” e começa já assim: Mulheres do mundo, morram de inveja. O bumbum feminino mais bonito do planeta é do Brasil! Fiquei imaginando, o que isso irá acrescentar na minha vida, na vida das mulheres do mundo e principalmente das brasileiras? A reportagem segue... A gaúcha Melanie Fronckowiack de 20 anos venceu 11.200 concorrentes em um concurso em Paris nessa quarta-feira. Os dois (isso porque quem conseguiu a “proeza” de vencer o masculino foi um Francês) ganharam 15 mil euros, cerca de R$ 44 mil, além de um contrato com uma marca de lingerie e blá, blá, blá... Se você assim como eu achava que ser “desbundado” não tinha nada de mais, é amigo (a), quebramos a cara, ser “bundado” dá dinheiro (e muito). A moça na reportagem disse que não iria pousar para nenhuma revista masculina (será?) e avisa “Eu não quero de forma alguma associar minha imagem ao meu bumbum. Eu sou Melanie Fronckowiak, meu bumbum faz parte de mim e não o contrário”. A mãe da gaucha que é psicóloga dá o total apoio a carreira de miss bumbum da filha. Mim surpreende uma profissional que tem como função estudar o comportamento do ser humano e o encaminhá-lo para uma vida produtiva diante a sociedade apoiar uma regressão dessas. Afinal, tantas mulheres lutaram e lutam por seus direitos e por respeito, de uma hora pra outra vem um concurso desses e joga a luta de décadas e milhares de mulheres de ralo adentro. Mim entristece também vê pessoas ditas civilizadas e de primeiro mundo tratar a mulher ainda como objeto, se o primeiro mundo é assim, quero ir pra lá não! Então, sendo assim, vamos olhar de forma mais critica o que nos é mostrado na TV, vamos a partir de hoje observar mais as noticias de forma mais critica e não apenas assistir por assistir. Quando a audiência desses programas caem imediatamente pesa no bolso da emissora, pesando no bolso os diretores desses programas reavaliarão as matérias que vinculam nos canais e só assim nossa programação irá dá uma melhorada. Porém assim como cada povo tem o governante que merece, cada telespectador tem a noticia que merece, sendo assim, vamos tentar prestar mais atenção no que nos é oferecido como “noticia”.
Lanço essa nota de repúdio no intuito de que alguém me responda o que está acontecendo com a raça humana? Sempre me pego nessa mesma pergunta e nunca acho resposta que me contente. O mundo (literalmente) está uma nojeira só e o ser humano que se julga Homo Sapiens Sapiens, ou seja, “aquele que sabe que sabe” se torna pior a cada dia. Não bastasse a poluição e a destruição que estamos provocando no planeta o homem agora deu pra regredir ao invés de evoluir! Você não ta acompanhando meu raciocínio nem entendendo minha revolta não é? Então veja só, vou ser mais especifico: A cada dois anos “exercemos nosso direito de cidadão ou cidadã”, elegemos prefeitos e vereadores e de quatro em quatro anos elegemos presidente, governadores, deputados estaduais e federais e senadores, pois bem, afirmo que o sujeito homem está ficando a cada eleição menos inteligente, pelo fato de colocar no poder quem não “presta” (se bem que nesse meio quase ninguém presta!) o ser humano que se diz tão esperto e o mais “racional” dos animais não está mais pensando com o cérebro e sim com o bolso. Todos sabemos, que economicamente o que faz o mundo girar hoje é o sistema capitalista, sistema esse que foi implantado pelo e para o homem no intuito de que os bens fossem descartáveis para que quem produzisse, produzisse mais e quem consumisse, consumisse cada vez mais... A situação chegou a tão ponto que hoje ninguém tem mais tempo pra nada a não ser trabalhar para ganhar dinheiro e ganhar para gastar e gastar para consumir... No entanto, a quem use de algumas artimanhas (para não dizer falcatruas e jogo sujo) para ganhar mais que o outro e assim ser um sujeito mais “Sapiens” pelo simples fato de possuir mais bens de consumo que o outro (mas isso é outra estória...). O fato é que o homem achou uma velha profissão, a de levar vantagem para com os demais do bando pelo fato de exercer a liderança, deve ter sido observando a natureza. O leão, por exemplo, fica deitadão descansando enquanto as leoas vão a caça, se matam de correr, bolam estratégias para só assim na 3ª ou 4ª tentativa abatem a pressa e quando está tudo pronto para o “banquete” o líder do bando chega primeiro come as melhores partes da pressa e quando está saciado deixa o que sobrou para o resto do bando. Não só os leões são assim como quase todas as espécies de animais que vivem em bando. O ser humano que se diz um “animal’ racional e moderno, que tem tantas novas idéias, que cria invenções espetaculares, que vai a lua, etc. Este mesmo ser humano que na tentativa de negar sua natureza de animal raspa quase todos os pelos do corpo, porém continua a exercer as mesmas praticas dos animais que vivem na floresta. O leão ao menos tem o mínimo de caráter, pois o leão é o líder do bando, ganha as melhores partes da carne, tem um arem só seu, não faz esforço algum pra caçar mas na hora de defender o bando de outros leões e outros predadores o mesmo exerce sua função e com muito honra por sinal. Com o bicho homem é diferente, matamos e morremos para conseguirmos o direito do voto, quando conseguimos votar somos obrigados a tal ato (creio que é para ficarmos devendo favor aos lideres de nosso bando) e ao votarmos na democracia somos enganados pelo tal do capitalismo, compram nosso voto por um papel que tem alguns desenhos de números e um bicho (coincidência?) para mim é inaceitável, e quando o voto é comprado por milheiros de tijolos, telas ou sacos de cimento, menos aceitável ainda, pois ao se vender por materiais você está assinando subconscientemente seu atestado de incompetência de trabalhar para conseguir tais materiais de forma honrosa e licita. É lamentável que o ser humano em pleno século XXI e tão moderno como se julga ser ainda se venda, é vergonhoso que um sujeito que se auto-intitula a imagem e semelhança de Deus esteja em franco decadência como vimos e vemos em período eleitoral. Que democracia é essa que lhe persegue e lhe barra se não votar em fulano, em que liberdade de expressão vivemos se o camarada não pode nem expressar sua vontade de mudança? Trabalhar com a democracia é complicado, ainda mais inseri-la em um ambiente onde ele não é aceita, aonde infelizmente o coronelismo nem o “voto de cabresto” acabou! Esse texto não irá mudar a cabeça de quem pensa em tirar proveito em períodos eleitorais para beneficio próprio. A minha utopia com este texto é a de que nunca mais verei casos de pessoas humildes (ou não) se venderem por qualquer preço, seja ele alto ou baixo. Ao se vender você está desrespeitando os ideais de quem tanto lutou e até morreu para poder conquistar esse “direito”. Ao se vender você está perdendo o pouco que se tem que é a moral e o respeito. Votar e errar tem concerto, logo logo virá outra eleição e quem sabe você acerta, mas votar sabendo que está votando errado e não ter moral pra reclamar posteriormente é lamentável. Por isso ao votar, vote consciente, sei que essa frase é um jargão bastante conhecido e nos dias de hoje não quase nenhum sentido para a maioria das pessoas, mas quero te dizer uma coisa, se o voto consciente ainda faz sentido pra mim deve fazer para mais pessoas e quando a consciência pesar mais que o bolso nas eleições, aí sim estaremos livres das sanguessugas engravatadas.
A (di) visão da visão
O Chile, pelo fato de está localizado geograficamente meio que isolado do resto da América do sul, ficou fisicamente longe de invasões territoriais, consequentemente “sobrou” mais tempo para que o país organiza-se estrutura e politicamente, pois não havendo a preocupação de invasores se torna prioridade à preocupação no bem estar da população desse comprido país. O Chile surge como modelo ideal de modernidade para os demais paises, pois ao contrário de outros paises, institui um estado forte que garantia de certa forma um bem estar social perante todas as camadas da sociedade local. Enquanto na maioria dos países americanos as mudanças estruturais da sociedade começaram de baixo, dos grupos economicamente desfavorecidos. No Chile acontece o oposto, as reformas partem do próprio estado, ou seja, de cima pra baixo, invertendo assim a ordem. Vale ressaltar que no Chile ocorreu uma mudança considerável no que tange as questões econômico-sociais. Não devemos deixar de citar o fato das pessoas passarem a usufruir cada vez mais condições melhor de sobrevivência; estradas melhores, saúde melhor, educação de boa qualidade... Com isso o Chile se estrutura e dá um passo a frente no que diz respeito à comparação aos outros paises do continente. Até então, a população do Chile não tinha do que reclamar, pois o país estava indo de vento em poupa na questão estrutural interna, porém, como diz o dito popular “nem tudo na vida são flores”, o país começa a se desestruturar politicamente e no ano de 1891, adota um novo padrão de sistema político, para ser mais especifico, há mudança no parlamentarismo republicano, onde nesse momento, já acontecia uma guerra civil que exige uma reorganização da reforma política de dominação oligárquica. O estado com seu poder forte é o mediador entre alguns grupos político-sociais e o mercado internacional, mas, por trás disso também existia a questão de exportação, pois com a guerra civil o Chile quebra os acordos com paises compradores de seu Salitre e Cobre, acarretando assim em uma valorização dos minerais, aumentando seu preço de exportação. Ou seja, quem pretendia adquirir Salitre ou Cobre chileno agora tinha que pagar mais caro. A história se encarrega de dá “um pulo” e fazer um recorte temporal até 1925, onde uma nova forma de governo é criada, chamado de presidencialismo, conservando a nova configuração política da anterior vista. Apesar de instabilidades e uma breve implantação de uma ditadura militar, o sistema político se estabiliza em 1932, criando assim um forte sistema partidário. Com o fortalecimento dos partidos políticos, os mesmos passaram a exercer no cenário político chileno o radicalismo, mas precisamente na década de 1940, o reformismo exaltado da democracia cristã e a unidade popular. Cria assim um clima de uma maior participação política de todas as bases da população, tornando assim novamente (com o nacionalismo) um clima favorável para o “povão” pensar e exercer a sua cidadania. O governo chileno também cria uma política de industrialização e protecionismo de seus produtos, (foi citado como exemplo anteriormente os minerais chilenos). Podemos observar que neste mesmo período da história chilena também acontece cresce um considerável crescimento urbanização. Ser um país moderno e justo para o Chile era promover o bem estar da sua população, conseqüentemente há uma crescente alfabetização da população, diminuição da mortalidade infantil e uma maior participação da sociedade nos assuntos políticos do país, é simples: povo educado e consciente = a maior participação e poder de resolução de problemas em seu país. Um exemplo de governante que deu espaço para a população foi o presidente Alessandri, mas, a contra ponto, seus opositores não o viam com bons olhos, não aceitavam de modo algum tais mudanças que Alessandri estava a fazer. Alessandri nesse mesmo período enfrentar uma notável crise financeira, também há um embace entre o executivo e o legislativo, um acusa o outro de corrupção e vice e versa. Os militares pressionam o governo a fazer medidas que garantissem as mudanças na legislação trabalhistas dentre outras reivindicações. Posteriormente aparece a figura de Carlos Ibranêz, vindo do movimento militarista, continua as reformas na educação e saúde. Ganhado simpatia popular ao ponto de se manter no poder por vários anos, criando uma ditadura forte e quase imbatível, pois como já se foi dito, lbranêz tinha a seu favor, o apoio popular, que por sinal é fator principal para ele ter se mantido no poder. A população e os partidos da frente popular pensavam que os militares entregariam o poder depois de um tempo, não aconteceu tal fato, foi aí então que os partidos se mobilizaram e passaram a lutar pela saída do ditador. Sendo assim, em linhas gerais podemos afirmar pelo o que foi visto, que o Chile foi considerado moderno e serviu de modelo para os outros paises. Pois, numa época em que a maioria dos paises sul-americanos não se preocupavam em ajudar de alguma forma sua população, o Chile caminhou no caminho inverso, fez o contrário, uma política de auxilio desde os mais pobres aos financeiramente bem resolvidos, e deu certo, ao menos por algum período de tempo o país quase acabou com a pobreza, o analfabetismo, se contar que tornou seu mercado forte e buscou o exercício de cidadania em cada individuo chileno. De 1973 a 1990 assume com um golpe de estado assassinando não só o então presidente e ex-aliado Allende como também milhares de oponentes o militar Augusto Pinochet, mas isso é outra história...