sexta-feira, 8 de agosto de 2008

HÁ DE 70 ANOS EM ANGICOS...

Herói ou vilão? Mocinho e bandido! Virgolino Ferreira da silva, mas conhecido como “Lampião”, foi temido e admirado por toda região nordeste, o mito do cangaceiro justiceiro vive até hoje no imaginário deste povo. Nascido no município de Vila Bela (atual Serra Talhada-PE), Virgolino (04/06/1898- 28/07/1938) e sua família são ameaçados em 1915 por capangas da família Nogueira, grande família latifundiária da época. Virgolino tem seu pai espancado, como era de costume no sertão a lei do “olho por olho, dente por dente” assim se fez. Juntamente com seu irmão Ezequiel, virgolino mata dois capangas dos Nogueira e foge com toda sua família para o estado de Alagoas. Lá seu pai é executado por capangas da família Nogueira. Aos 21 anos percebendo que o poder publico não agia em pró dos humildes, resolveu fazer justiça com as próprias mãos e criar suas próprias leis. Era chamado Lampião pelo fato de atirar muito bem no escuro e no disparar da sua arma, surgiam faíscas que lembravam a luz de um lampião. No ano de 1920, Lampião entra para o bando de Sebastião Pereira, dois anos mais tarde S. Pereira abandona o cangaço e passa o posto de chefe a Lampião. Durante sua curta jornada na vida de banditismo, lampião e seu bando por onde passavam aterroriza grandes fazendas e Vilas. É verdade que havia outros grupos de cangaceiros, mas nenhum foi tão famoso quanto o bando de Lampião. Virgolino não perdoava o enriquecimento ilícito dos coronéis, abominava a exploração dos grandes contra os pequenos agricultores. Em suma, lutava e tentava combater as injustiças sociais no NE. Lampião também faz parte do imaginário nordestino por suas batalhas homéricas na caatinga e pelos julgamentos que fazia em praças publicas. Na cultura do cangaço não havia perdão nem justificativa para traição, estupro e falsidade. A lealdade para com os paradigmas do cangaço era tão forte que até mesmo cangaceiros do seu bando quando faziam algo errado eram julgados como um réu qualquer. Apesar de semi-analfabeto Lampião gostava de ler jornais e escrever cartas a grandes lideres políticos das cidades por onde passava. Tais cartas sempre vinham acompanhadas de algumas reivindicações (e alguns erros de português). Também se deixou ser fotografado e filmado, em certas ocasiões (como bom estrategista que era) usava a imprensa a seu favor. Também era um exímio costureiro. Engana-se quem acha que as vestimentas do cangaço eram sem cor e sem brilho, pois, apesar de serem feitas de couro não deixavam de ter ornamentações confeccionadas pelos próprios cangaceiros, enfeites que iam do aplique de pedras preciosas aos bordados e crochês. Os chapéus era um caso a parte, sempre imponentes e inconfundíveis, cada cangaceiro tinha um zelo especial para com o seu, pois o chapéu de um cangaceiro refletia seu perfil. Lampião por exemplo, colava moedas antigas e valiosas no seu. Graças aos cangaceiros hoje podemos dançar o “Xaxado”, dança criada pelos bandoleiros para tentar esquecer a solidão e a falta de uma vida alegre e estável. Servia também como dança de guerra, na falta de mulheres eles dançavam com suas armas e até mesmo homem com homem, o que é um paradoxo diante do conceito de “cabra macho” no NE. Em 1929, com a chegada de Maria Bonita (que fugira do marido sapateiro para viver com o valente cangaceiro) começou a se aceitar mulheres no bando, quebrando assim mais uma vez outro paradigma nordestino, o de que a mulher é um ser frágil e que traz azar. Lampião reformulou as tradições dos grupos de insurgentes bandoleiros do Nordeste, em pleno agreste brasileiro o semi-analfabeto e por muitos tachados como bandido, de uma maneira bem peculiar estava fazendo cultura, já se foi citado exemplos aqui como a própria musica-dança Xaxado e os adornos nos bizacos e gibões destes guerrilheiros sertanejos. Podemos notar também como herança do cangaço o comportamento e paradigmas dos vaqueiros sertanejos de hoje. Lampião foi uma espécie de Robin Wood brasileiro, pois, algumas vezes roubava dos ricos e doava uma parte aos pobres, com isso, o mesmo ganhava apoio da população local, dava e recebia proteção. Também era subsidiado por alguns coronéis. “Pousava” em algumas fazendas quando a coisa apertava e as volantes o perseguiam. “Deu fim a muitos macacos” (matou muitos policiais) por essas fazendas sertanejas. Seu bando era odiado pelo governo e respeitado pelos civis “matutos”, se tornava difícil capturar os bandoleiros, pois, a população local na maioria das vezes simpatizava pela causa de luta dos cangaceiros. Em 1926, por intermédio de Pe. Cícero (pessoa que Virgolino respeitava muito) recebeu o convite para combater a coluna Prestes (coluna comunista que tentou tomar o poder no país) junto com o convite veio à patente de capitão honorário das forças legais, armamento e munição. Só que, lampião recusou-se a combater tal coluna e a partir daí resolveu durante todo resto de sua vida carregar consigo a patente de Capitão, que segundo ele fora dada por Pe. Cícero e não pelo governo. Lampião com esse episódio conseguiu mais uma contradição na história, pois, um bandoleiro fora da lei recebeu o convite e a patente de capitão do exercito brasileiro para combater ao lado do estado! Há mais estórias sobre Virgolino Ferreira da Silva nas entrelinhas do tempo que a nossa vã filosofia pode imaginar, alguns desses relatos cientificamente comprovados, outros nem tanto. Mas, o importante é que Lampião e seus cangaceiros entraram para a história do NE, nos sete estados (PE, BA, SE, AL, PB, RN e CE) que passaram, causaram um misto de respeito e indignação, empatia e ódio, Um bom exemplo é o de que em PE Lampião é visto como herói, já em SE é tido como bandido. Dicotomias que a história prega nas biografias de grandes figuras, Julgamentos a parte... Chega ao fim na madrugada chuvosa da cidade de Porto folha, na fazenda sergipana “Angicos” em 28 de Julho do ano 38, Lampião, Maria Bonita e mais nove de seu bando, perdiam a vida numa emboscada realizada por militares da policia alagoana comandados pelo tenente João Bezerra. As cabeças dos bandoleiros foram enviadas a Salvador-BA onde ficaram expostas por mais de vinte anos. O cangaço ainda continuou vivo, porém, não mais o mesmo. Sem seu principal “capitão” os “soldados” do cangaço se encontravam desmotivados, tomaram rumos mais seguros para suas vidas. Se Lampião foi o mocinho ou o bandido não cabe esse artigo julgá-lo, o certo é que por essas bandas nunca mais apareceu um líder estrategista como Virgolino Ferreira da Silva.
*ARTIGO TAMBÉM ENCONTRADO NO SITE: www.pernambucobeat.com

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O REINO DAS COBRAS CAPITALISTAS

Era uma vez a não muito tempo atrás um reino chamado “Capitalismo”, no trono deste reino se encontrava sentado um rei de nome “Consumo”. O reino tinha como crença a religião denominada “Cifranismo”, na religião cifranista acredita-se que o poder está nos mandamentos dos monetários, seguindo tais mandamentos o individuo poderia passar de um simples mortal para um ser “evoluído” mais conhecido como Burguês. No reino capitalismo só os burgueses eram felizes (ou ao menos pensavam que eram). Os burgueses pensavam ser felizes pelo fato de achar que conseguiam comprar sentimentos como amizade, amor, carinho, companheirismo e até saúde e paz. Pobres almas, mal sabiam que tais sentimentos não eram objetos. A distribuição de renda no quesito falsidade, traição e manipulação em tal reino era farta, os Burgueses achavam que o mundo se resumia puro e simplesmente ao seu reino. Apesar de comandarem político e socialmente o reino capitalismo e na maioria das vezes exercer força sobre as classes menos favorecidas os Burgueses nem muito menos o rei Consumo tinham em suas mentes sentimentos puros e sem segundas intenções, sempre que faziam uma boa ação esperavam algo em troca... Como a História explica, todas as super potencias dominantes que já passaram no planeta, se tornaram extintas por suas próprias mãos. Por suas atitudes arrogantes e vantajosas. O final dessa estória já sabemos, com todos os “ratinhos” já devorados, e as “cobras” tendo a dieta constituídas basicamente de carne, irão uma engolir a outra, chegará o dia em que só sobrará poucos exemplares dessa espécie peçonhenta. E finalmente, o reino acabará. Mas, infelizmente por um tempo, até se destacar mais uma espécie dominante e o ciclo da História se repetir. Seria tão melhor se não existissem fronteiras, pois, sem fronteiras não haveria reinos, sem reinos cobras não estariam no poder e sem poder não haveria hierarquia, sem a tal hierarquia existiria igualdade e com igualdade entre os animais (os homens e as classes) não sei se o sofrimento acabaria, mas com certeza a felicidade existiria por mais tempo. Afinal, não custa nada sonhar, imaginar ainda é de graça!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Praça da Bandeira (Campina Grande-PB)

Sabemos que praça é qualquer espaço publico ou privado urbano livre de edificações, onde só circulam pedestres, sendo proibido o trafego de veículos de tração ou motorizado. A praça tem como função a recreação e laser não só da população local como também vinda de outros lugares. Na praça pode se observar ajardinamentos, calçadas largas, etc. Também podemos encontrar como fazendo parte do imobiliário urbano da praça, bancos e lixeiras, postes e orelhões, tais como ponto de ônibus, bancas de revistas, posto policial e pontos comerciais como bares, lojas e cafés.A Praça da Bandeira localizada no centro da cidade de Campina Grande na Paraíba é um bom exemplo de integração social, encontro entre amigos e eventos da cidade. Ao termino das aulas, muitos jovens estudantes vão a Praça da Bandeira para se encontrar, pois algumas escolas se localizam próximas dali, tais como Colégio Imaculada Conceição (Damas), Motiva, Aprovação, CDF, Colégio Alfredo Dantas (CAD), etc. Na praça não há só jovens, adultos também se fazem presente na referida praça, tomam café, lêem jornal, engraxam seus sapatos e se reúnem com os amigos. Quem sai dos correios (que se encontra nos arredores da praça) geralmente também dá uma passada na praça para, como já foi dito, esquecer um pouco da correria do dia-a-dia e rever velhos amigos. Na Praça da Bandeira também ocorre vários eventos de inúmera natureza, desde protestos a cultos religiosos, apresentações de artistas populares que tentam ganhar o pão de cada dia, sem falar nos festivais ocorridos na praça, dentre eles está um dos festivais mais importantes da cidade de Campina, que é o Festival de Inverno, onde vários artistas do quadro nacional se apresentam, a exemplo de Nação Zumbi, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Belchior, dentre outros. Em suma, a praça da bandeira, tem como finalidade promover o bem estar político e social da cidade de Campina Grande. A Praça da Bandeira, antes de ser batizada com esse nome, era chamada de Praça Índios Cariris. Não só houve a mudança do nome na praça, como também houve mudanças físicas radicais na praça. Nas gestões do prefeito campinense Vergniaud Wanderley (1935-1938) e (1940-1945), não só a praça foi reformada, como todas as principais vias de Campina. O objetivo era avançar a cidade a Oeste, mas, também a intenção na época era desobstruir a região central da cidade (na mesma época foi inaugurado o Grande Hotel), a conseqüência de tanta modernidade foi prejudicial, pois no espaço físico da antiga praça se localizava a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que teve que ser demolida para abrir vias. A demolição da Igreja começa no dia 15 de Agosto de 1940 e concluída tal demolição a 18 de Outubro do mesmo ano. A maioria dos estudiosos critica tal demolição, pois acreditam que não seria necessária extrema atitude. A Igreja e outras casas foram destruídas e indenizadas, a Igreja foi locada para um bairro (na época) periférico, o bairro da Prata. A padroeira da Igreja era a padroeira dos negros e com o processo de “modernidade”, os negros não eram vistos com bons olhos. O contraditório é que hoje a Igreja é uma das mais belas Igrejas da cidade e nela freqüentam a maioria branca católica da sociedade campinense, graças às doações de várias famílias ricas da época e da classificação do bairro da Prata como nobre. A praça hoje também é conhecida como Praça dos Pombos, devido à quantidade desses animais no local, a população ainda ajuda para a proliferação dos animais, alimentando-os e como se não bastasse, ensinando seus filhos a alimentar as aves que ali estão. Os pombos a principio foram usados para ornamentação da praça, para torná-la mais alegre. Só que com o tempo o aumento das aves foi de tamanha força que se tornou prejudicial para a conservação da própria praça como danoso para a saúde de seus freqüentadores. A Praça da Bandeira hoje tem uma área de aproximadamente 3.550 m², seu nome fala por si só, é uma homenagem a um dos símbolos nacionais. A praça até hoje é referencia de encontro entre amigos e até de negócios, a praça da bandeira como vimos, tem sua importância no meu político-social e cultural da rainha da Borborema, não só por ser localizada no centro, mas por toda sua história e sua luta de resistência as mudanças com a vinda do “progresso”. Não há quem nunca parou na praça para encontrar amigos (as), tratar de assuntos de negócios, tomar sorvete, esperar ônibus, engraxar os sapatos, tirar fotos 3x4 para documentos, tomar um cafezinho, comer tapioca, comprar livros, cordel ou revistas. Por esses e tantos outros motivos a Praça da Bandeira é um dos cartões postais da cidade de Campina Grande na Paraíba.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_da_Bandeira_(Campina_Grande), Pesquisado em 2 de Junho de 2007 às 13:38. http://www.rosario.org.br/web/index.php?option=com_content&task=view&id=14