quinta-feira, 5 de julho de 2007

O uso do cinema nas novas linguagens no ensino de história em sala de aula

O ensino de história a partir da escola dos Annales, em todo o mundo sofreu consideráveis mudanças no que tange os quesitos pesquisa e ensino em história. Antes do surgimento dos annales a história era vista de forma positivista, com apenas uma verdade absoluta, “verdade” está que dava ênfase única e exclusivamente aos “grandes” heróis da história. A escola dos Annales veio para quebrar tal conceito e em 1929 começa com Marc bloch e Lucien Febvre a mudar esse quadro. A revista dos Annales veio consolidar o que a algum tempo se criticava, a importância de verdade que se dava ao documento estatal, hoje sabemos que tais documentos podiam muito bem ser forjados ou coisa do gênero, os annales vieram para criticar e derrubar a teoria de que só estes documentos feito pelo estado seria a única verdade. Os teóricos dos annales perceberam que havia muitas outras fontes históricas a serem estudadas, fontes essas que na maioria das vezes eram “esquecidas” de maneira proposital. Perceberam que nessas fontes estavam contidos outras verdades que precisavam ser trabalhadas e pesquisadas, “verdades” essas que por sinal nunca antes haviam sido estudadas. Inúmeras fontes podem ser estudadas através do que denominamos de “Nova História”, desde fontes orais, cartas amorosas, gravações de áudio e/ou vídeo, mapas, os próprios documentos oficiais, literatura de cordel, quadrinhos, pinturas, arquitetura, vestimentas, danças, musicas, vida privada, sexualidade, cinema e muitas outras fontes existentes, realmente há uma infinidade de fontes para que o pesquisador tenha subsídios para realizar um bom projeto ou trabalho. A partir do momento que o pesquisador se identifica com as tendências da nova história abre-se um leque de oportunidades para que o mesmo se depare com inúmeras verdades dentro de uma mesma abordagem, dentro de um mesmo recorte temporal. Sabendo da importância que cada fonte dessas citadas a cima tem na nova pesquisa histórica, resolvi fazer uma abordagem mais minuciosa com a linguagem cinematográfica abordada em sala de aula (seja no ensino fundamental ou médio). Podemos perceber que este século é o século “visual’, onde o que importa é a aparência, um exemplo disso é alguma espécie de produto que passa em algumas propagandas comerciais na TV ou cinema, aparentemente ao passar na propaganda o produto aparenta ser mais saboroso e atraente que “ao vivo” quando nos deslocamos de nossas casas para comprá-lo no supermercado. Para isso denominamos o nome de “sociedade de consumo”, se antes a intenção era o poder do conhecimento, hoje na pós-modernidade o que podemos notar é que detem o poder não mais quem tem o conhecimento cientifico e sim quem possui mais capital, mais monetário para a aquisição de produtos fetichistas. Com o cinema essa sociedade de consumo não poderia ser diferente, pois o capitalismo se apropria de quase tudo, nem a “sétima arte” escapou desse capitalismo selvagem. O sistema capitalista se apropria do cinema quase que desde sempre, pois como o capitalismo tem como grande aliado o fetichismo da imagem e imagem e cinema estão intrinsecamente ligados, a coisa flui como uma bola de nele. É preciso se ter bastante cuidado ao trabalhar produções cinematográficas na sala de aula, pois sabemos que o alunado toma a película assistida como verdade, é natural, inclusive ao grande fascínio que o cinema causa. Ao assistirmos um filme ou documentário nos tele transportamos para a situação exibida na tela, ou seja, tomamos aquela situação que estamos a assistir em uma verdade, na maioria das vezes não nos importamos em criticar tais cenas. Não podemos exibir qualquer produção cinematográfica para os nossos alunos, devemos antes de tudo assistir e analisarmos o conteúdo do VHS ou DVD, não devemos nunca assistir ao mesmo momento que o alunado. O melhor a fazer é antes da exibição em sala, o conteúdo do filme já tenha sido problematizado em sala de aula através do livro didático, pais o livro didático também torna-se um subsidio de suma importância para a analise comparacional das duas linguagens, das duas fontes. Mais uma vez vele salientar que, nenhuma das duas linguagens (livro ou filme) está com a verdade, mas sim, cada um tem uma maneira deliberativa de pensamento para o mesmo recorte temporal histórico, por exemplo, um livro didático em algum capitulo das missões jesuíticas não necessariamente um filme falará e abordará o tema da mesma forma que está exposta no didático, até porque são dois autores diferentes, com experiências de vida diferentes e etc. Não podemos esquecer de modo algum as divergências que existem entre filmes de um mesmo assunto, o fato de se tratar do mesmo tema não quer dizer que a abordagem nos dois (filmes) será igual, até porque como já se foi dito, os autores são outros e não a mesma pessoa. A abordagem de cada época depende muito de fatores como: quando foi produzida? Por quem foi produzido? Para quem (publico) foi feito?... Um ponto que necessitamos dá ênfase é o “funilamento” de filmes a serem passados para a classe, não é qualquer filme que pode ser reproduzido em sala, condeno os filmes comerciais (a maioria se encontra nessa classificação), em tais filmes não há alguma preocupação com a questão anacrônica abordada na “obra”, pois o interesse maior é o lucro, enchem o filme de efeito para encantar nossos alhos e esquecem o enredo, da principal função do cinema que é narrar a estória a ser contada, por esse motivo não devemos passar filmes dessa classificação, já que como sabemos nossos alunos ainda sem uma visão histórico-critica mais apurada mais uma vez tem a produção cinematográfica como verdade, quebrando assim consequentemente o nosso trabalho de todo o ano. Vale salientar que filme é uma coisa e documentária é outra coisa totalmente diferente. No filme quer queira quer não, analisamos de forma mais critica, pois infelizmente já estamos acostumados com muita produção ruim que aparece a cada mês, assim fica bem mais fácil de ter aquela visão critica apurada, porém, quando se trata de documentários, nós mesmos caímos na armadinha de alguns documentários “não sérios”. Aprendemos ao longo de nossas vidas que “todo” documentário é sério e tem o caráter de verdade (mesmo que não absoluta, mas verdade) e esquecemos de que também existe vários documentários de inúmeros assuntos que não merecem nossa credibilidade e sim merecem nosso censo apurado de critica. Na maioria das vezes caímos no paradoxo de que todo documentário tem um paradigma a ser zelado, ledo engano, tanto quanto as produções cinematográficas, os documentários também são passivos de analises, analises essas que já foram abordadas nesse artigo: quando foi produzido? Por quem foi produzido? Para quem (publico) foi feito?... Já se foi falado da importância das novas linguagens históricas, dando ênfase maior a produções cinematográficas e documentários, as várias “armadinhas” que as más produções espalham pela floresta da critica, as pegadinhas anacrônicas que o mau palhaço do cinema prega em nós educadores, etc. Chegamos a conclusão de que é preciso (e muito) está tento com o que iremos trabalhar em sala de aula com nossos alunos, o cinema é importante sim para o aprendizado, isso sem sombras de duvidas, mas o cinema “educativo” e não o cinema “alienativo”. A ponte entre o filme bom e mal é estreita e frágil, devemos prestar muita atenção e ter bastante cuidado no que toamos como referencia no que se refere as novas linguagens pedagógicas de ensino em história. REFERENCIA: NOVA, Cristiane: O Cinema e o Conhecimento da História, Revista de História Nº 3