sexta-feira, 1 de junho de 2007

HERÓIS !?

Nesses lapsos de memórias que retornam vez ou outra, regredi no tempo para recordar minha infância (que por sinal foi muito boa) e, ao voltar à infância não poderia esquecer das brincadeiras com amigos (as). Lembrei da minha maneira simples de observar o mundo que me cercava e conseqüentemente, recordei-me dos super-heróis que fizeram parte da minha juventude e ainda fazem parte de tantas outras recordações presente em cada um de nós e até mesmo na vida da geração moderna. Heróis esses que inúmeras vezes desejei ser, por “n” motivos que iam desde o mais puro dos sentimentos, que é o de salvar o mundo, ajudar os seres humanos a serem melhores e a conviverem em harmonia uns com os outros, até sentimentos tidos como egoísta de querer voar só para tirar a pipa que estava no telhado do visinho chato. Mal imaginava que o exemplo de perfeição estereotipado na figura do herói fosse tão falho!
Peguemos como exemplo quatro personagens: Super-Homem, Capitão América, Rambo e Zé Carioca.
O Super-Homem (Superman) é o mais perfeito de todos. Criado na década de 30, mas precisamente no ano de 1933, foi enviado de seu planeta Krypton (planeta superior a Terra) para o nosso planeta, por seus pais biológicos Jor-El e Lora numa cápsula espacial, (tornando-se assim uma espécie de “Moisés” dos tempos “modernos”) chegando a Terra, pousa em Smallville (Pequenópolis). Em seu planeta de origem seu nome era Kal-El (filho das estrelas), morfologicamente analisando, seu nome tem origem árabe, posteriormente é chamado na Terra de Clark Kent e é adotado pelo casal Jonathan e Martha Kent, e é educado a partir da moral ética e bons costume norte-americano. É quase um Deus. Tem vários poderes, dentre eles estão: a visão de raios-X que tudo ver, mesmo através das paredes, pode voar, tem visão de calor e visão de gelo, superforça, super-rapidez e agilidade em seus movimentos e consegue mudar o curso dos rios e a rotação da terra, podendo voltar assim no tempo. Sua fama se difundiu com pouco tempo de criação, soldados viam suas histórias em horário vago nas campanhas militares. O Super-Homem foi criado pós 1ª Guerra Mundial, pois no mundo do pós 1ª Guerra se tinha a utopia de que “tempos melhores e mais justos viriam”, sendo assim, sonhar com tempos melhores e mais justos era possível. Na sua 1ª aparição no episódio “O Reino do Super-Homem, Superman era mal (será que ainda não é?), seus criadores logo perceberam que um sujeito com tantos atributos não poderia ser mal. Como sabemos o Superman tem um lema: “Defender a Verdade, a Justiça e a América”. Com esse lema os U.S.A. se colocam no centro do mundo e aumentam seu poder egocêntrico.
Na 2ª Guerra Mundial vimos surgir o Capitão América, objetivando especificamente ir de encontro ao Nazismo. Seu nome era Esteve Rogers, se escondia atrás de um uniforme do exército americano fazendo o papel de um soldado comum, colocando em prática mesmo que de maneira subliminar, o dilema de que todo cidadão americano tinha o poder de mudar o rumo do conflito se alistando para o exército Yankee. O Capitão América tinha a alcunha de “Sentinela da Liberdade”, ajudando assim a divulgar a doutrina Monroe, que pregava “A América para os americanos”, ou melhor: A América e todo o mundo para os norte-americanos. Quando estava travestindo o traje de Capitão América, o herói vestia uma fantasia com as cores da bandeira dos E.U.A. e de forma paradoxal seu instrumento de batalha era um escudo, um super-herói tão agressivo usando como arma um instrumento que se usa para se defender só vem a aumentar a idéia de que os Estados Unidos da América tem uma população pacífica e só estava no confronto para combater o mal, para se defender, e para salvar o resto do mundo do mal.
Na Guerra do Vietnã (1965-1975), surge Rambo, este sim, mais humano (ao menos na aparência de soldado), pois o mais cruel dos “heróis” americanos, Rambo aniquilou vários vietconges, reforçando assim a idéia de que os U.S.A. se acham os “salvadores do mundo”, tentando assim extinguir o “mal” do planeta, com o lema de “levar a ‘paz’ para todas as nações”. Um poema musicado retrata bem a personalidade de Braddock (Rambo):

“Rambo musculoso, muito forte,muito mal
Pisa por cima de todos com seu poder imperial
Está matando muito e nem toma um tirinho na testa
Algumas vezes acertam seu braço, mas facilmente se recupera
Destruindo povos, culturas e tradições
Esse filme nunca acaba, selva de dominações
Sacrifícios de inocentes pelas garras da águia
Quando teremos liberdade se a exploração nunca acaba
CIA, FMI unidos entre si irão destruir o MST
Não haverá pra onde fugir, será o final da linha
Braddock vai trucidar José Rainha.”“.
(autor desconhecido)

No Brasil não temos super-heróis quase indestrutíveis, o que temos é um personagem criado pelo o próprio Walt Disney, que em visita ao Brasil em 17 de agosto de 1941 leva para o mundo o estereotipo de brasileiro que até hoje vemos, o brasileiro malandro, boa praça, bom de bola (Futebol), músico, boêmio de rodas de Samba, o preguiçoso que sempre quer tudo mais fácil, o simpático acolhedor, o pacífico, etc. Esse personagem se chama Zé Carioca, é bom dançarino, cortejador, aprecia a culinária brasileira e sempre vive de bem com a vida. Como se só existisse esse tipo de brasileiro, quando o que vemos desde a época em que foi criado o personagem é totalmente antagônico à essa idéia retratada por Disney. O que vemos é estatisticamente comprovado com a má distribuição de renda, a proliferação das favelas, o crescimento assustador do tráfico, a prostituição, os assassinatos, os estupros, os assaltos, a violência contra a mulher, as crianças abandonadas, os mendigos e a corrupção.
Daí eu me pergunto: Será que não estamos sendo muito ingênuos? A criança cresceu e vê o mundo de outra maneira agora. Um mundo onde os heróis são vilões.